domingo, 1 de setembro de 2013

Socorro

Elena fez um tumulto.

Elena.

Me afoguei na maresia de nós. Você doce, eu salgada.

Eu não te conhecia, Elena. E aí você me veio de leve, quase como um vulto, me parecendo tão íntima. É como se você tivesse vivido dentro de mim todos esses quase vinte anos. Ai, Elena. Tem sido tão difícil. Mas sempre vale a pena. Vale a pena pela lembrança daquele sorriso inconfundível. Ver aquele sorriso realmente foi um sunshine de Steve Wonder.

Dei um passinho de dança no passado hoje. Por que é que ele sempre nos parece mais poético que o presente? Eu sempre tenho a impressão de que meu eu de ontem é mais poético que o de hoje. Você também sente isso?

Tô com um vazio. Aqui.
No estômago.
E não é fome.

Na verdade é fome, mas é fome de outra coisa.

Essa sou querendo me apaixonar de novo. Essa sou eu que não sossego. Essa sou eu que não sei viver sem uma boa história de amor para sofrer. Será que essa sou eu mesmo?

O que eu faço com esse vazio?

Me afoga com você em Ofélias, Elena.

Quero chorar meu mar salgado, mas nem isso eu consigo. Não tem mais nada aqui dentro. É só o vazio.

Faz chover, vou tentar brotar para dentro.